segunda-feira, 23 de abril de 2012

São Jorge da festa de Corpus Christi a Zeca Pagodinho



Várias canções de música popular fazem 
referência às armas de São Jorge, sendo o 
desenvolvimento  atual  do  Romance  Português
Justo Juiz, modificado às referências  culturais do 
sujeito brasileiro e hibridizado culturalmente com 
as marcas do Orixá Ogum da religiosidade Africana, 
durante o período da escravidão.


Em Portugal


O culto de São Jorge se inicia
em Portugal por intermédio da relação política 
com a Inglaterra e passa-se a ser incluído na procissão de 
Corpus Christi, o maior evento
religioso português, desde o início da dinastia 
dos Avis(sec. XIV).  




Recorte da revista Ilustração Portuguesa. Numero 123 do dia 20 de Junho de 1908.
Fotografias de Joshua Benoliel

Na Africa: 

Assim como o mito de São Jorge, que viajou entre culturas, Ogum, um Orixá guerreiro, também se deslocou entre várias comunidades, se misturando entre diversas culturas ainda no continente africano antes de chegar no Brasil. 




Ogum em Fotografia de Verger em 1958 na comunidade de Eshede Africa.

No Brasil

Os arquétipos de Ogum e São Jorge no Brasil se chocam, mesclam, se dialogam, produzindo uma divindade que representa proteção, força, coragem.

Na performance de Zeca Pagodinho e Jorge Benjor tem-se uma canção para Ogum interrompida pela oração de fechamento de corpo a São Jorge (desenvolvimento do Romance Justo Juiz Português), recitado neste vídeo por Jorge Ben. Observe como os intérpretes performatizam estas relações internamente na canção. 

   


Oração Justo Juiz do Romanceiro Português

Recitado por Marcelina Augusta Centena, nascida 
em 1917 Avelada/Bragança.  Coleta  em  17  julho  de 
1980 Fontes (1987 p.1100).

Justo juíz divinal
Filho da virgem Maria,
Que em Belém fostes nascido
No meio da Judaria:
Peço-vos que guardeis o meu corpo
De noite e de dia
Não seja preso,
Nem ferido
Nem morto
Nem de justiça envolto
- Paz teco, paz teco, paz teco -
Disse Deus aos seus discípulos.
Se não passarem por ‘qui os nossos inimigos,
Não nos deixeis ver,
Nem ouvir,
Nem falar,
Nem pinga de sangue
Do nosso corpo tirar
Tenham olhos não nos vejam
Tenham pernas não me alcancem
Tenham braços não mos ofedem
Tenham ouvidos não nos ouçamTenham boca não nos falem
Tenham olhos não nos vejam
Co’as armas de São Jorge seremos bem 
armados
Co’as chaves de Pedro seremos bem fechados
Co’os tres cálix benditos
Co’as tres hostias consagradas,
Tres sacerdotes revestidos
Subiu Deus do seu horto
A orar por todos os séculos dos séculos. Amém




segunda-feira, 12 de setembro de 2011

O canto das mondadeiras em Gal Costa

foto: Mondadeiras de arroz (1960)
fonte: http://www.tradicoespopulares.com/cms/view/id/10643

"As mondadeiras andam nas mondas,
De rego em rego, sempre a cantar,
Troncos curvados, ancas redondas,
Braços roliços e o peito às ondas
Que não se quebram como as do mar"
Conde de Monsaraz

As mondadeiras, camponesas, são mulheres que trabalham
na plantação e colheita dos campos portugueses.
Diante delas há um sentimento de respeito ao trabalho e ao
mesmo tempo um fetiche de sensualidade, graças a liberdade
que elas tem em deixar visíveis partes do corpo durante a lida.

"A monda fazia-se com água pelo joelho, às vezes mesmo por
cima dele. Daí as mondadeiras andarem descalças e trazerem
as saias puxadas bem acima. Passar todo o dia em meio metro
de água já fazia parte do quotidiano."
http://trajesdeportugal.blogspot.com/2009/07/

Milho Verde, música tradicional portuguesa da região da Beira é
provavelmente um canto responsivo entre um eu-lírico masculino
(namora uma cachopa, uma casada) e uma mondadeira, que não
fica para trás em se tratando de namoro. Nesta região é comum as
mulheres entoarem seus cantos acompanhadas de adufes, instrumento
de percussão com formato quadrado. Na interpretação de Zeca Afonso,
ele mistura o adufe com as tumbadoras (congas) de origem africana, que
segundo ele, reflete a relação percussiva entre Portugal e Africa. Já a
interpretação tropicalista de Gal Costa tem foco na sensualidade feminina,
presente na letra da canção e no trabalho das mondadeiras.





Milho verde, milho verde
Milho verde maçaroca
À sombra do milho verde
Namorei uma cachopa

Milho verde, milho verde
Milho verde miudinho
À sombra do milho verde
Namorei um rapazinho

Milho verde, milho verde
Milho verde folha larga
À sombra do milho verde
Namorei uma casada

Mondadeiras do meu milho
Mondai o meu milho bem
Não olhais para o caminho
Que a merenda já lá vem

domingo, 21 de agosto de 2011

O pífano e a percussão

O pífano, flauta de bambu, está presente em várias culturas. Na America do Sul, no Japão, na Índia. Aqui vemos imagens do pífano acompanhado de percussões em Portugal e no Brasil. No disco de Gil, é a banda de pífano de Caruaru que toca pipoca moderna.



O Romance



O Romance, versos de canto e resposta entoado durante a lida no campo, é para o pesquisador Bráulio Nascimento
o primeiro laço cultural, espontâneo, entre os povos que atravessaram o atlântico

terça-feira, 16 de agosto de 2011

A Nau Catarineta



Suassuna explica a relação entre Portugal e Brasil através da Nau Catarineta e Antonio Nóbrega interpreta um trecho do romance.



Marco Aurélio conta sinteticamente a estória da Nau Catarineta



Audio do primeiro registro da Nau Catarineta, realizada pela missão de Mário de Andrade em 1938



Versão da Nau Catarineta realizada em Portugal

segunda-feira, 15 de agosto de 2011

O entrudo



Ó entrudo Ó entrudo
Ó entrudo chocalheiro
Que não deixas assentar
as mocinhas ao solheiro
Eu quero ir para o monte
Eu quero ir para o monte
Que no monte é qu'eu estou bem
Que no monte é qu'eu estou bem
Eu quero ir para o monte
Eu quero ir para o monte
Onde não veja ninguém
Que no monte é qu'eu estou bem
Estas casa são caiadas
Estas casa são caiadas
Quem seria a caiadeira
Quem seria a caiadeira
Foi o noivo mais a noiva
Foi o noivo mais a noiva
Com um ramo de laranjeira
Quem seria a caiadeira



Os caretos, mascarados de diabos, correm durante o Entrudo azucrinando as moças da rua.

Entrudo
No Brasil Colonial, até a I República, o carnaval teve como principal manifestação o entrudo (do latim intróito, entrada) trazido de Portugal. Brincou-se pela primeira o entrudo em 1600 e devido à forma agressiva e brutal com que os foliões se divertiam (como foi retratado por Debret), o governo o proibiu várias vezes. Era uma brincadeira de início violenta, em que os participantes utilizavam água, farinha-do-reino, fuligem, gema, cal, pós-de-sapatos, alvaide e vermelhão, que empapavam as pessoas. O entrudo era a oportunidade das pessoas das camadas pobres da população (incluindo os escravos) de se manifestarem contra as situações consideradas opressivas da época, ao mesmo tempo em que se divertiam e reinventavam a brincadeira entre si. No entanto, os mais abastados (incluindo até D. Pedro II) também aderiram à manifestação nos dias de carnaval, quando o limão-de-cheiro passou a ser a grande arma da brincadeira. Em 1885, o entrudo assumiu formas de maior graça e leveza, substituindo todos os elementos anteriores por limões de cheiro, borrachas com água perfumada e bisnagas (precursoras dos lança-perfumes), atingindo o seu apogeu na segunda metade do século XIX, atravessando o século.
fonte: http://www.malamem.logvelox.com/entrudo.html

A encruzilhada da canção



A palavra (en) cantada
Documentário na íntegra.

A canção brasileira é uma encruzilhada entre diversidades culturais,
entre a tradição e a modernidade, entre o eu
e o outro, entre
o poema, a prosa e a melodia.