segunda-feira, 12 de setembro de 2011

O canto das mondadeiras em Gal Costa

foto: Mondadeiras de arroz (1960)
fonte: http://www.tradicoespopulares.com/cms/view/id/10643

"As mondadeiras andam nas mondas,
De rego em rego, sempre a cantar,
Troncos curvados, ancas redondas,
Braços roliços e o peito às ondas
Que não se quebram como as do mar"
Conde de Monsaraz

As mondadeiras, camponesas, são mulheres que trabalham
na plantação e colheita dos campos portugueses.
Diante delas há um sentimento de respeito ao trabalho e ao
mesmo tempo um fetiche de sensualidade, graças a liberdade
que elas tem em deixar visíveis partes do corpo durante a lida.

"A monda fazia-se com água pelo joelho, às vezes mesmo por
cima dele. Daí as mondadeiras andarem descalças e trazerem
as saias puxadas bem acima. Passar todo o dia em meio metro
de água já fazia parte do quotidiano."
http://trajesdeportugal.blogspot.com/2009/07/

Milho Verde, música tradicional portuguesa da região da Beira é
provavelmente um canto responsivo entre um eu-lírico masculino
(namora uma cachopa, uma casada) e uma mondadeira, que não
fica para trás em se tratando de namoro. Nesta região é comum as
mulheres entoarem seus cantos acompanhadas de adufes, instrumento
de percussão com formato quadrado. Na interpretação de Zeca Afonso,
ele mistura o adufe com as tumbadoras (congas) de origem africana, que
segundo ele, reflete a relação percussiva entre Portugal e Africa. Já a
interpretação tropicalista de Gal Costa tem foco na sensualidade feminina,
presente na letra da canção e no trabalho das mondadeiras.





Milho verde, milho verde
Milho verde maçaroca
À sombra do milho verde
Namorei uma cachopa

Milho verde, milho verde
Milho verde miudinho
À sombra do milho verde
Namorei um rapazinho

Milho verde, milho verde
Milho verde folha larga
À sombra do milho verde
Namorei uma casada

Mondadeiras do meu milho
Mondai o meu milho bem
Não olhais para o caminho
Que a merenda já lá vem

domingo, 21 de agosto de 2011

O pífano e a percussão

O pífano, flauta de bambu, está presente em várias culturas. Na America do Sul, no Japão, na Índia. Aqui vemos imagens do pífano acompanhado de percussões em Portugal e no Brasil. No disco de Gil, é a banda de pífano de Caruaru que toca pipoca moderna.



O Romance



O Romance, versos de canto e resposta entoado durante a lida no campo, é para o pesquisador Bráulio Nascimento
o primeiro laço cultural, espontâneo, entre os povos que atravessaram o atlântico

terça-feira, 16 de agosto de 2011

A Nau Catarineta



Suassuna explica a relação entre Portugal e Brasil através da Nau Catarineta e Antonio Nóbrega interpreta um trecho do romance.



Marco Aurélio conta sinteticamente a estória da Nau Catarineta



Audio do primeiro registro da Nau Catarineta, realizada pela missão de Mário de Andrade em 1938



Versão da Nau Catarineta realizada em Portugal

segunda-feira, 15 de agosto de 2011

O entrudo



Ó entrudo Ó entrudo
Ó entrudo chocalheiro
Que não deixas assentar
as mocinhas ao solheiro
Eu quero ir para o monte
Eu quero ir para o monte
Que no monte é qu'eu estou bem
Que no monte é qu'eu estou bem
Eu quero ir para o monte
Eu quero ir para o monte
Onde não veja ninguém
Que no monte é qu'eu estou bem
Estas casa são caiadas
Estas casa são caiadas
Quem seria a caiadeira
Quem seria a caiadeira
Foi o noivo mais a noiva
Foi o noivo mais a noiva
Com um ramo de laranjeira
Quem seria a caiadeira



Os caretos, mascarados de diabos, correm durante o Entrudo azucrinando as moças da rua.

Entrudo
No Brasil Colonial, até a I República, o carnaval teve como principal manifestação o entrudo (do latim intróito, entrada) trazido de Portugal. Brincou-se pela primeira o entrudo em 1600 e devido à forma agressiva e brutal com que os foliões se divertiam (como foi retratado por Debret), o governo o proibiu várias vezes. Era uma brincadeira de início violenta, em que os participantes utilizavam água, farinha-do-reino, fuligem, gema, cal, pós-de-sapatos, alvaide e vermelhão, que empapavam as pessoas. O entrudo era a oportunidade das pessoas das camadas pobres da população (incluindo os escravos) de se manifestarem contra as situações consideradas opressivas da época, ao mesmo tempo em que se divertiam e reinventavam a brincadeira entre si. No entanto, os mais abastados (incluindo até D. Pedro II) também aderiram à manifestação nos dias de carnaval, quando o limão-de-cheiro passou a ser a grande arma da brincadeira. Em 1885, o entrudo assumiu formas de maior graça e leveza, substituindo todos os elementos anteriores por limões de cheiro, borrachas com água perfumada e bisnagas (precursoras dos lança-perfumes), atingindo o seu apogeu na segunda metade do século XIX, atravessando o século.
fonte: http://www.malamem.logvelox.com/entrudo.html

A encruzilhada da canção



A palavra (en) cantada
Documentário na íntegra.

A canção brasileira é uma encruzilhada entre diversidades culturais,
entre a tradição e a modernidade, entre o eu
e o outro, entre
o poema, a prosa e a melodia.

A língua portuguesa e a diversidade cultural



Texto de apoio para o bate papo inicial da disciplina.
Diálogos culturais por intermédio da Língua Portuguesa